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Família dizimada em MS pela covid-19

Mariana Ricco, de família tradicional em Corumbá Mato Grosso do Sul, cidade que fica à 426 km da capital Campo Grande,  viu sua família ser dizimada pela covid-19 sem nem ao menos contarem com a “sorte” da vacina.

Mãe de Mariana, a corumbaense Silvana Ricco ficou emocionada após receber dose da vacina e acabou ganhando gesto carinhoso de agente de saúde.
O ano de 2021 marcou não só uma mas a sequência de 6 tragédias pessoais na vida da corumbaense Mariana Ricco Arguello, 25 anos, e sua família. Inclusive, O Pantaneiro já contou parte dessa história, de quando – ao ser completamente imunizada – sua tia Silvia fez questão de levar uma folha sulfite com os nomes dos três homens de casa que perderam a vida à espera de uma dose “milagrosa” contra a covid-19.

Destino diferente, nesta semana Mariana e sua mãe receberam a “sorte” da agulha e seringa. Seguindo o exemplo de Silvia, as duas também homenagearam os nomes daqueles entes queridos mortos pelo vírus. Daquela ocasião, o ato aparentemente simples foi compartilhado nas redes sociais, uma forma de lembrar os mais de 530 mil mortos pela doença, simbolizar a dor, e – ao mesmo tempo – transformar o luto em luta: de que só a vacinação vai nos tirar dessa.

Além da tia e avó materna, Mariana viu seu pai (à esquerda na foto), avô paterno e dois tios morrerem de covid-19.

“Os dias, os meses, possuem um significado diferente para mim. Pois se a vacinação tivesse chegado a minha família um pouco mais cedo, provavelmente ainda estaríamos todos juntos. Isto é, meu irmão, que só tem 11 anos, cresceria vendo o pai vivo. Entretanto, minha família está destruída, e por uma doença que já tem solução”, confirma Mariana.

“Estamos aprendendo a sobreviver. Tem sido momentos difíceis, afinal foram perdas de pessoas tão queridas e em sequência, cada uma delas completamente devastadoras para todos nós”.

Todas elas no período de 1 mês. Eliane Assad Arguello, tia de Mariana, foi a primeira das vítimas. “E justo na data da missa de 7° dia recebemos a notícia de que seu esposo Osmar também não resistiu. Meus primos, que enterraram seus pais em menos de uma semana, ficaram desolados”, relembra. De forma parecida, a corumbaense também iria experimentar de perto o gostinho amargo dessa dor ao ver o pai falecer do vírus.

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“Minha família está devastada”, confirma a jovem; todas as perdas aconteceram praticamente no período de 1 mês.

“Minha mãe Silvana Ricco foi a primeira a contrair a covid no nosso núcleo familiar mais interno. Na sequência, meu pai Luis Daniel, minha avó Geni e suas cuidadoras. Até meu irmão mais novo contraiu”, conta. Em casa, Mariana foi a única que não pegou covid.

Luis começou a ter sério comprometimento pulmonar. Sua primeira tomografia apresentou 40% do pulmão tomado pelo vírus e, 2 dias depois, já estava em 60%. Quando ele e sua esposa Silvana foram transferidos no dia 14 de maio para o Hospital Albert Einstein, em Goiânia, ambos tiveram uma piora no quadro clínico. “Foram momentos desesperadores”, revela Mariana.

Um dos último registros de Mari ao lado do pai, internado em Aquidauana e transferido para hospital de Goiânia.
Ainda criança, registro de Mari ao lado do pai; ela lamenta o fato dos seus familiares não sobreviverem para contar.

No dia 17 daquele mês, um outro tio – Nelson – não resistiu ao vírus. Dois dias depois, a mãe de Mari teve alta, enquanto que seu pai foi direto para a entubação. Tristemente, as mortes não demoraram a acontecer. “Primeiro minha avó materna, depois meu avô paterno e, por último, depois de muita luta contra as complicações da doença, meu pai descansou”, relata.

“A rotina já não é a mesma, mas estamos no processo de transformar nossas dores em luta e esperança, para que outras famílias também não passem por isso”.

Quando O Pantaneiro escreveu a reportagem com sua tia Silvia, também havia entrado em contato com a sobrinha. Naquela época, porém, a jovem não se sentia preparada para descrever o tamanho da dor que latejava no peito. A dor ainda continua, é claro, mas agora que teve a chance de receber o imunizante Mariana se encontra mais forte.

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Adeus: “caso tivéssemos a ‘sorte’ da vacinação, meu irmão, que só tem 11 anos, cresceria feliz vendo o pai vivo”.
No período de 1 semana, os primos de Mari também foram obrigados a se despedir dos pais Osmar e Eliane mais cedo.

“Ver a vacina virar uma disputa ideológica, política, praticamente ‘partidária’, não só desrespeita a minha dor como ainda promove a destruição de vidas. Me entristeço demais vendo jovens da mesma idade que eu menosprezando a covid, fazendo aglomerações e participando de festas clandestinas. Às vezes, minha mãe questionava que deveria ser difícil eu, uma moça jovem e ativa, ficar presa em casa. Mas meu pensamento sempre foi: ‘vai passar. Isso é o mínimo que posso fazer pela segurança da minha família e de tantas outras’. O difícil agora foi “ver passar” minha família morrer às véspera da ‘cura’, sugere com relação à vacina.

Inspirada na tia Silvia (à direita), Mariana e sua mãe Silvana homenagearam seus entes queridos na hora da vacinação.

Corrente do bem – Primeira a ser imunizada completamente, Silvia foi quem deu início à campanha #VacinaSim da família Arguello nas redes sociais. “Quando eu e minha mãe tivemos a oportunidade de nos vacinar nesta semana, seguimos o mesmo exemplo da minha tia. Do luto à luta! A vacina segue como a única fonte de esperança de que dias melhores virão”, garante a jovem.

Mariana finaliza dizendo que no momento tem vivido um dia de cada vez. “A dor é insuportável e a saudade de todo mundo é avassaladora. Deus tem sido meu maior companheiro. O que posso afirmar é que vou continuar a me cuidar como já fazia antes e conscientizar o máximo de pessoas que eu puder com essa trágica história, para que mais ninguém venha experimentar o que eu ando passando”.

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Para OMS, Covid-19 continua a ser emergência de saúde pública internacional

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou no domingo (17) o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), instaurado em fevereiro de 2020. A decisão vai na contramão do que disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) na última semana. No dia 13 de abril, a OMS determinou que a pandemia de Covid-19 continua a ser uma “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”. Na prática, isso significa que a doença continua a ser uma pandemia.

A decisão, do diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus, seguiu o parecer do comitê de emergências da entidade. O comitê reconheceu que o Sars-CoV-2, causador da Covid, continua a ter uma evolução “imprevisível, agravada pela sua ampla circulação e intensa transmissão em humanos” e em outras espécies.

Nesse contexto, os especialistas consideraram com preocupação o fato de que alguns países-membros relaxaram medidas de comportamento e saúde pública para diminuir a transmissão do vírus.

Além disso, considerou o comitê, o vírus continua a causar altos níveis de morbidade e mortalidade, particularmente entre populações vulneráveis.

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Diretrizes da OMS

A OMS também emitiu uma nova recomendação temporária para países-membros – de fortalecer a resposta à pandemia de Covid-19, “atualizando os planos nacionais de preparação e resposta de acordo com as prioridades e cenários potenciais descritos no Plano Estratégico de Preparação e Resposta da OMS para 2022”.

Outras diretrizes anteriores foram atualizadas, conforme a orientação do comitê. O órgão reforçou, por exemplo, o impacto negativo que os requisitos de vacinação de cada país pode ter sobre a entrada de viajantes internacionais em seus territórios. A OMS já havia se manifestado contra a comprovação de vacinação em viagens internacionais.

Já a meta de vacinar 70% das populações de todos os países do mundo até julho deste ano foi mantida. Até agora, 64 países já cumpriram a meta, segundo o monitoramento “Our World in Data”, ligado à Universidade de Oxford; o Brasil está entre eles. Por outro lado, um levantamento divulgado na última semana pela própria OMS apontou que 21 países não vacinaram nem sequer 10% de suas populações.

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Entenda o que é a Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional

O estado de “Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional”, também chamado Espin, é considerado o nível máximo de risco da doença no Brasil.

Ele entrou em vigor em fevereiro de 2020, poucos dias depois de a OMS declarar emergência internacional de saúde pública.

A norma permitiu que o governo federal e os governos estaduais e municipais tomassem uma série de medidas, como o uso obrigatório de máscaras e a autorização emergencial para vacinas.

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